As Duas Identidades que Carregamos

Art. II: Jornada do Arquétipo da Criança Interior

compartilhe

25/06 a 15/07

19º Dia – Segunda-feira – 13/07

As Duas Identidades que Carregamos

🗓 Publicado em 13/07/2026
✍️ Por Pe. José Vidalvino
📘 Psicoterapeuta E Criador Do Método Da Cura Da Criança Interior


As Duas Identidades que Carregamos

Você sabia que há uma identidade escondida e mais profunda em nós?

Hoje quero falar de um assunto que provavelmente quase ninguém fala sobre ele. As nossas duas identidades que criamos sobre nós. Sim, isso é verdade, o problema é que não conseguimos identificá-las. Sei que parece, no começo, um pouco estranho: como assim temos duas identidades? Talvez você esteja se questionando. Eu só tenho uma, essa aqui que eu conheço, que eu vejo e que as pessoas veem. E se eu disser que, além dessa, há uma identidade escondida e mais profunda em nós?

Vamos imaginar que você precisasse responder a esta pergunta: Quem eu sou? Tenho certeza de que você responderia quase tudo focado na identidade consciente e racional, criada pelo ego. Aquela que criamos para sobreviver: nossas máscaras, nossa persona, que eu chamo de falso eu e eu adaptativo, que criamos para sermos aceitos e vistos pela sociedade. Aquela que vendemos para os outros, a imagem que queremos que todos vejam e reconheçam.

Essa imagem é criada pelo ego como forma de proteção. Quando éramos crianças, lá na infância, estávamos criando a nossa identidade. Nosso cérebro estava aprendendo quem éramos mediante tudo aquilo que ouvimos, vimos e sentimos, sobretudo tudo o que estávamos vivendo. Nosso cérebro estava processando e criando as nossas conclusões e a nossa identidade, como passamos a nos ver, nos perceber e nos entender. Fomos criando e formando uma imagem sobre nós mesmos. Essa imagem não nasceu conosco. Ela foi construída mediante tudo o que vimos, ouvimos e sentimos. Todas essas informações foram ficando em nós e passaram a criar a nossa identidade. A partir delas, vamos tirando conclusões.

Por exemplo, uma criança que ouviu frequentemente: “Você não faz nada direito” pode crescer acreditando: “Eu não sou capaz”. Outra que sofreu abandono pode concluir: “Eu não sou importante”. Outra que viveu muitas críticas pode acreditar: “Preciso ser perfeito para ser amado”.

Perceba que essas informações não são verdades. São apenas informações recebidas, processadas, entendidas e concluídas; foram interpretações das informações que recebemos. E é justamente aqui que nasce aquilo que chamamos de identidade do ego. Criamos uma identidade mediante todas essas informações, as nossas máscaras.

É assim que vamos criando duas identidades sobre nós: a identidade criada pelo ego e aquela mais profunda, criada na dor. Aquela inconsciente que escondemos.

E é a imagem criada pelo ego, as nossas máscaras sociais, que tende a prevalecer, com a qual passamos a nos identificar de forma consciente e racional. Essas máscaras são criadas para tentar esconder a nossa imagem da dor. A nossa imagem da dor são aquelas memórias sensoriais que ficaram gravadas em nós.

O problema começa quando o ego passa a assumir a identidade de quem acreditamos ser, quando começa a assumir o comando daquilo que acreditamos ser. O problema é acreditar que somos apenas essa identidade construída pelo ego. Porque essa identidade normalmente nasceu da dor, para esconder a nossa identidade ferida. E tudo aquilo que nasce da dor cria mecanismos de defesa.

Imagine uma criança que passa por vários momentos difíceis. Ela não consegue entender por que isso acontece; ela simplesmente sente que acontece. Ainda não possui maturidade para interpretar os acontecimentos. Quando acontece alguma situação difícil, quase sempre conclui que o problema está nela.

Por exemplo: os pais brigam e ela pensa: “A culpa deve ser minha”. Os pais são emocionalmente frios e ela conclui: “Não sou digno de amor”. Recebe críticas constantes e aprende: “Nunca sou suficiente”. Essas interpretações ficam registradas no cérebro emocional. Elas passam a formar crenças, e as crenças passam a formar a nossa identidade.

Diante do sofrimento, diante de todas as nossas memórias traumáticas, o ego cria estratégias de sobrevivência. O ego é extremamente inteligente. Ele quer evitar que você sofra novamente. Então cria mecanismos de defesa. Quem sofreu críticas pode tornar-se perfeccionista. Quem sofreu rejeição pode viver buscando aprovação. Quem foi abandonado pode desenvolver dependência emocional. Quem viveu humilhações pode esconder seus sentimentos. Quem cresceu sem reconhecimento pode tornar-se excessivamente competitivo. Todas essas estratégias nasceram para proteger. Mas aquilo que um dia protegeu, hoje pode estar aprisionando.

Criamos, através do ego, mecanismos de sobrevivência: as máscaras, o falso eu e o eu adaptativo. Escondemos o eu ferido, a nossa identidade ferida, a nossa criança interior.

Quando começamos a nos investigar, passando por um processo de transformação, começamos a perceber uma verdade muito importante. Quando começamos a entender e perceber que, além do eu que conheço, criado pelas máscaras, eu também tenho um eu ferido, talvez cheguemos à conclusão de que não somos quem imaginamos ser, não somos quem pensamos que somos. Sei que isso é assustador.

Isso porque há uma outra identidade que não queremos ver: a identidade construída na dor. É importante conseguirmos nos ver e nos perceber além das máscaras; perceber que, além dessa identidade construída, com a qual me vejo hoje, há uma identidade construída na dor, aquela que chamo de nossa criança ferida, aquela que passamos a negar a vida inteira, a forma como ela se vê e se entende.

Precisamos ter a coragem de ver a nossa criança interior como ela é, como ela se sente, como ela se vê e se entende. A visão e a percepção que ela tem de si mesma. É a coragem de ser imperfeito, é a coragem de aceitar e admitir aquilo que escondemos a vida inteira. A coragem de se ver sem as máscaras, de ver a noiva sem maquiagem.

Essa identidade são as nossas memórias de dor, as dores mais profundas do nosso ser: como eu realmente me entendo, me vejo e falo comigo no mais profundo do meu ser, principalmente quando estou sozinho. Essas dores, essas memórias, vão se manifestar em nós de três formas que muitas vezes ignoramos ou até ridicularizamos, fazendo pouco caso e sendo irônicos conosco mesmos. Elas aparecem quando estamos sozinhos, no silêncio, ou quando tentamos algo e não alcançamos. Manifestam-se em forma de pensamentos, palavras e sentimentos.

Vamos começar a entender a profundidade da nossa mente subconsciente. Vamos começar a ter consciência do que falamos sobre nós mesmos, principalmente quando estamos sozinhos: como nos vemos, pensamos e falamos sobre nós. Assim vamos acessando a mente subconsciente e trazendo para a consciência aquilo que escondemos por anos.

Comece a prestar atenção no que fala, pensa e sente. Esses pensamentos e sentimentos são manifestações da sua criança ferida, da sua identidade ferida. Não são palavras vazias de significado; pelo contrário, são profecias, declarações que manifestam dores profundas.

Vamos perceber que aquilo que falamos, e ao qual muitas vezes não damos importância, dizendo até com um tom de ironia, é na verdade a manifestação das nossas dores. Por exemplo: “Isso não é para mim”, “Sabia que não iria conseguir”, “Está tudo bem, eu sou assim mesmo”, “Nasci assim e vou morrer assim”, “Não tenho sonhos”, “Não tenho pretensões grandes”, “Só quero conseguir pagar minhas contas e viver em paz”, “Sou desajeitado mesmo”, “Não gosto de ler”, “Sou lento”, “Sou um lesado”. Essas expressões, na verdade, são manifestações sabotadoras para esconder as nossas dores.

Vamos começar a perceber com mais clareza os nossos pensamentos conscientes e começar a ter acesso àqueles inconscientes. Vamos perceber que muito do que pensamos também é uma forma de esconder a nossa dor.

Quando conseguimos entender esse jogo interno, começamos a ter clareza da visão que tenho de mim construída pelas máscaras, aquela com a qual talvez me identifique hoje, e daquela visão que estou escondendo.

Nesse jogo, é preciso entender que quem comanda a nossa vida não é apenas aquilo que temos racionalmente e conscientemente, mas aquilo que está inconsciente. É essa versão construída na dor que está conduzindo a nossa vida. Ali se encontram os nossos sabotadores, as nossas crenças limitantes e as influências dos nossos antepassados. Elas foram construídas na dor e se tornaram a nossa programação interna, o nosso código-fonte, que gera pensamentos, sentimentos, ações e resultados.

Quando entendemos isso, começamos a perceber que quem somos hoje, aquilo em que nos tornamos, não aconteceu por acaso. Fomos sendo construídos, moldados e, de certa forma, conduzidos até aqui pelas nossas dores e pelas experiências traumáticas que vivemos. Ou seja, muitas vezes somos conduzidos pela nossa criança ferida, por essas memórias que permanecem vivas e não crescem. Elas estão ali conduzindo a nossa vida, até termos a coragem de acessá-las e trazê-las para o consciente.

Como diz Carl Jung: “Enquanto você não trouxer o inconsciente para o consciente, ele conduzirá a sua vida, e você o chamará de destino.”

Entender essas duas versões de nós é importante. Tenha coragem de tirar a máscara e permitir-se ver e sentir como a sua criança interior se encontra hoje, como ela se vê, se entende e se percebe. Tenha a coragem de ser imperfeito.

Busque se conhecer para se transformar. Se conhecer é poder.

Quer aprofundar essa jornada?
Você sente que sua criança interior precisa de acolhimento?
Quer começar a curar sua criança interior?

Conheça o método que une conhecimento científico e espiritualidade, promovendo o alinhamento entre corpo, psique e espírito. Ele vai te ajudar a acessar camadas profundas da mente e conduzir esse processo com segurança.

👉 Acesse agora o link abaixo e conheça o método da curada criança interior e comece sua jornada de volta à sua essência.

➡️ https://metododacuradacrinacainterior.com/
➡️ Siga também no Instagram: [@pejosevidalvino]

No blog do Instituto Conecte, você encontra artigos diários sobre saúde emocional, autoconhecimento e desenvolvimento humano.

Se este artigo tocou seu coração, compartilhe com alguém que precisa resgatar a sua luz interior

guest

0 Comentários
mais antigos
mais recentes
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários

POSTS RELACIONADOS

Formação e Origem do Arquétipo da Criança Interior

Cura da Criança Interior

Jornada do Arquétipo da Criança Interior

2º Dia – Sexta-feira Formação e Origem do Arquétipo da Criança Interior 🗓 Publicado em 26/06/2026 ✍️ Por Pe. José Vidalvino📘 Psicoterapeuta E Criador Do Método Da Cura Da Criança...

Cura Verdadeira: Como Integrar e Ressignificar Sua História Sem Apagá-la

Cura da Criança Interior

Cura Verdadeira: Como Integrar e Ressignificar Sua História Sem Apagá-la

🗓 Publicado em 30/06/2025✍️ Por Pe. José Vidalvino📘 Psicoterapeuta E Criador Do Método Da Cura Da Criança Interior Descubra por que a cura verdadeira não está em apagar o passado,...

Cura da Criança Interior

As memórias antes da razão: como o ego esconde o que mais precisa ser curado

Existe um tempo em nossa vida em que não sabemos falar, nem pensar com clareza, mas já sentimos profundamente. Antes do pensamento racional surgir, já estávamos vivenciando o mundo por...

A Criança Que Fomos Ainda Vive em Nós: Como Ela Influencia Suas Emoções e Decisões

Cura da Criança Interior

A Criança Que Fomos Ainda Vive em Nós: Como Ela Influencia Suas Emoções e Decisões

🗓 Publicado em 03/07/2025✍️ Por Pe. José Vidalvino📘 Psicoterapeuta E Criador Do Método Da Cura Da Criança Interior Descubra por que a criança que você foi ainda vive dentro de...

Cura da Criança Interior

As Memórias da Infância Não Somem: Como o Passado Continua Influenciando sua Vida

Muitas pessoas acreditam que o tempo é capaz de apagar tudo. Que basta crescer, amadurecer e seguir a vida adulta para deixar para trás tudo o que foi vivido na...