A primeira oração é conosco mesmo. É entrar em comunhão conosco para entrar em comunhão com Deus.

Art. II

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Jornada do Arquétipo da Criança Interior

25/06 a 15/07

17º Dia Sábado – 11/07

A primeira oração é conosco mesmo. É entrar em comunhão conosco para entrar em comunhão com Deus.

🗓 Publicado em 11/07/2026
✍️ Por Pe. José Vidalvino
📘 Psicoterapeuta E Criador Do Método Da Cura Da Criança Interior


A primeira oração é conosco mesmo. É entrar em comunhão conosco para entrar em comunhão com Deus.

A primeira oração é conosco mesmo. É entrar em comunhão conosco para entrar em comunhão com Deus

A primeira oração é conosco mesmos. Sim, parece estranho, mas é verdade. A primeira comunhão da nossa oração acontece entre nós mesmos. Acontece em nosso diálogo interno. É uma conversa entre o eu emocional e o eu racional. Esse diálogo é humano; todos nós o temos. É uma conversa com o centro direcionador da mente inconsciente, o eu emocional, e com o centro direcionador da mente racional, o eu racional, o consciente, o ego.

Quando vamos rezar, mesmo que não tenhamos consciência disso, mesmo que neguemos as nossas emoções, elas estarão presentes. E as nossas emoções exercem um domínio sobre nós muito maior do que o eu racional. Somos muito mais emocionais do que racionais. Até mesmo as pessoas que se julgam extremamente racionais também estão sob o domínio do eu emocional.

Por isso, digo que o maior erro que uma pessoa pode cometer na hora de rezar é deixar as suas emoções de lado. Esse erro é fatal. Mesmo que a pessoa acredite que não esteve sob o domínio das emoções, ela esteve. Nossas emoções têm vida própria. Nosso eu emocional é aquela parte de nós que funciona de forma automática e inconsciente. São aqueles sessenta a setenta mil pensamentos diários que temos. Eles estão ali conduzindo nossa vida de forma automática.

Mesmo que uma pessoa esteja rezando de maneira totalmente racional, focada na oração, no rito da oração, o eu racional está ali, preocupado em fazer tudo corretamente, acreditando que, se realizar bem o rito, será atendido. Só que, se o eu emocional não estiver aceitando essas informações, se o eu emocional acredita que não merece, está cheio de dor, insegurança e crenças limitantes de não merecimento, prevalecerá aquilo que o eu emocional está sentindo. As nossas emoções sempre prevalecerão sobre a nossa razão. A razão não prevalece sobre a emoção.

Por isso, deixar o ser humano de fora da oração é, com certeza, um erro fatal. O humano do ser humano é aquilo que somos internamente, aquilo que sentimos e pensamos no mais profundo do nosso ser. É o nosso verdadeiro “eu sou”, aquele que foi construído ao longo da vida, muitas vezes também na dor. É a nossa identidade mais profunda, aquilo que verdadeiramente somos por dentro, como nos vemos no mais profundo do nosso ser. Como somos assim por dentro, não é como nos vemos por fora. Essas memórias, essas dores, são escondidas pelo nosso ego, pelas máscaras que vamos construindo para não termos acesso a essa realidade interna. Essas memórias são o que eu chamo de arquétipo da criança interior, nossas memórias construídas na dor, aquelas que escondemos.

Freud usou a metáfora do iceberg para representar essa realidade: a parte de cima corresponde a cinco por cento da mente consciente; a parte de baixo, a noventa e cinco por cento da mente inconsciente. Essas memórias escondidas, que chamo de arquétipo da criança interior, são todas as nossas memórias criadas desde a concepção. Elas estão armazenadas em nós. Não desaparecem apenas porque não nos lembramos delas; continuam vivas e atuantes, influenciando diretamente a nossa vida.

Por isso falo tanto da importância de trazer as emoções para a oração. É trazer a nossa humanidade. Sem elas, nossas orações podem se tornar apenas um ritualismo, palavras jogadas ao vento. Na oração, estamos primeiramente em contato conosco mesmos. Acontece o nosso diálogo interno, acontece a conversa entre o eu racional e o eu emocional. Essa conversa acontece o tempo todo, até mesmo durante a oração. Então, não basta focar apenas na oração como uma forma de agradar a Deus, de convencê-Lo de que eu mereço, se, no mais profundo de mim, acredito que não mereço.

A oração não deve ser vista como uma moeda de troca, um “toma lá, dá cá”: eu faço e Deus me obedece. Também não devemos acreditar que a oração é uma receita de bolo, em que sigo todo o ritual da forma mais perfeita e, no final, obtenho automaticamente o resultado. Não acontece assim, justamente porque temos as nossas emoções. Elas são poderosas. São elas que conduzem a nossa vida. Como costumo dizer, a emoção é a senhora que governa a nossa vida.

As nossas emoções vão formando a nossa programação interna, que chamo de código-fonte, onde ficam armazenadas todas as nossas memórias. Essa programação funciona como a de um computador: é composta por linhas de programação que, ao longo da vida, vão sendo repetidas até se transformarem em hábitos, passando a conduzir automaticamente a forma como pensamos, sentimos e agimos.

Preciso entender que, quando eu rezo, estou primeiramente realizando um diálogo interno entre o eu racional, consciente, e o eu emocional, inconsciente. E, quase sempre, quem prevalece é o eu emocional, porque é ele quem conduz o nosso funcionamento interno.

Falando de forma humana sobre como nosso sistema funciona, todas as palavras que falo e todas as emoções que sinto são enviadas para a nossa mente subconsciente. Ela não julga, não questiona, não critica. Ela é um grande processador, uma grande esponja. Tudo o que lançamos nela, ela absorve e aceita como verdade. A linguagem do subconsciente não é racional; é emocional.

Então, entre aquilo que você fala de forma racional e consciente e aquilo que realmente sente de forma inconsciente — que representa suas verdades mais profundas, porque nossas emoções não mentem; elas são manifestações das nossas verdades internas — sempre prevalecerá o que sentimos. Ou seja, aquilo que somos e acreditamos internamente, e não aquilo que falamos racionalmente, desconectados dessas emoções.

Nossos sentimentos têm fome deles mesmos. Estamos sempre atraindo mais do mesmo. Nossa vida tende a produzir mais do mesmo. Como eu estou me sentindo? O que estou dizendo para mim mesmo por meio dos meus sentimentos, até mesmo no momento de rezar? No final, prevalecerá aquilo que sinto.

Há outro princípio que diz: como é dentro, é fora. Ou seja, como somos por dentro, manifestaremos por fora. Gosto também de dizer que a nossa realidade externa é apenas um reflexo da nossa realidade interna. Nossos resultados vêm das nossas ações; nossas ações vêm das nossas emoções, pois agimos conforme estamos emocionalmente. Nossas emoções vêm dos nossos pensamentos. Lembre-se: temos de sessenta a setenta mil pensamentos diários, e apenas cinco por cento deles são conscientes. Os pensamentos inconscientes não são neutros, nulos ou insignificantes. Na verdade, é o contrário: os cinco por cento conscientes podem ser insignificantes diante dos noventa e cinco por cento inconscientes, que estão conduzindo a nossa vida. Além disso, cerca de noventa por cento desses pensamentos são apenas repetições dos pensamentos de ontem e de anteontem, mantendo-nos presos em um ciclo de pensamentos repetitivos. Nossos pensamentos vêm da nossa programação, e a nossa programação é formada por todas as emoções que sentimos, mediante todos os fatos, experiencias que vivemos desde a concepção.

Por isso digo da importância de entender o poder do nosso diálogo interno no momento da oração. Para que possamos estar em profunda comunhão conosco mesmos. E, nessa comunhão, entramos em comunhão com Deus, que ouve muito mais o nosso coração do que as nossas palavras. Sem coerência entre aquilo que falo e aquilo que sinto, dificilmente haverá uma verdadeira manifestação daquilo que apresentamos em oração.

Até mesmo para encerrar, pergunto: de que adianta passar cinco, dez ou quinze minutos do seu dia rezando e passar o restante do dia no negativo, reclamando, xingando, acreditando que não tem sorte e que nada dá certo? Reclamar é clamar duas vezes. Como costumo repetir, a vida nos devolve mais do mesmo. Nossos sentimentos têm fome deles mesmos. Como somos por dentro, construiremos o nosso mundo exterior.

A oração é, em primeiro lugar, uma comunhão conosco mesmos, um diálogo interno entre as nossas partes. Nessa comunhão, vou me conectar verdadeiramente com Deus. Esteja inteiramente na presença de Deus: de corpo, mente e espírito.

Aquilo que cultivamos em nosso interior é o que inevitavelmente manifestaremos em nossa vida.

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