O velho eu: "Obrigado por me trazer até aqui".

O velho eu: “Obrigado por me trazer até aqui”.

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🗓 Publicado em 10/04/2026
✍️ Por Pe. José Vidalvino
📘 Psicoterapeuta E Criador Do Método Da Cura Da Criança Interior


O velho eu: "Obrigado por me trazer até aqui".

Introdução

Ontem, enquanto escrevia meu novo livro, cheguei em uma parte que mexeu profundamente comigo: o velho eu construído na dor. Foi um daqueles momentos em que a escrita deixa de ser apenas um processo racional e se torna um encontro interno, quase como um espelho que reflete coisas que, muitas vezes, evitamos olhar. E ali, diante dessas palavras, algo mudou dentro de mim de uma forma muito sincera e inesperada.

Pela primeira vez, em vez de rejeitar quem eu fui, em vez de olhar para o passado com julgamento ou crítica, eu senti orgulho. Orgulho da minha história. Não pelas dores que vivi, não pelos momentos difíceis, mas pela forma como consegui atravessar tudo isso. Foi como se, naquele instante, eu tivesse conseguido enxergar o meu passado com mais maturidade, mais consciência e, principalmente, mais compaixão.

Eu percebi que, durante muito tempo, fui duro comigo mesmo. Julguei decisões, questionei comportamentos e, muitas vezes, quis ser diferente do que fui. Mas, naquele momento, algo se reorganizou dentro de mim. Eu entendi que o velho eu não era um erro — ele era necessário. Ele foi fundamental para que eu chegasse até aqui.


1. O velho eu como sobrevivente

Quando olhamos para o passado com os olhos de hoje, é muito fácil cair na armadilha do julgamento. Pensamos que poderíamos ter feito diferente, escolhido melhor, reagido de outra forma. Mas esquecemos de um ponto essencial: naquele momento, éramos quem podíamos ser. Tínhamos o nível de consciência, maturidade e recursos emocionais que estavam disponíveis naquela fase da vida.

E foi exatamente isso que comecei a enxergar com mais clareza. Se hoje estou aqui, com mais equilíbrio, com mais consciência e com uma saúde mental estável, é porque o meu velho eu lutou. Ele fez o que foi possível. Ele criou mecanismos, construiu defesas, encontrou formas de lidar com situações que, muitas vezes, eram maiores do que eu conseguia compreender.

Esses mecanismos, que por muito tempo eu vi como falhas, hoje consigo reconhecer como estratégias de sobrevivência. Foram eles que me mantiveram de pé. Foram eles que evitaram que eu quebrasse completamente em momentos difíceis. Foram eles que me permitiram continuar, mesmo quando tudo parecia confuso, pesado ou sem sentido.

A verdade é que o velho eu não era fraco. Ele era resiliente. Ele não era perdido — ele estava tentando se encontrar. Ele não era errado — ele estava aprendendo a lidar com a dor da melhor forma que conseguia. E talvez essa seja uma das maiores viradas de chave: entender que aquilo que nos manteve vivos em determinado momento não precisa ser condenado, mas reconhecido.


2. Os mecanismos que nos protegem

Quando passamos por dores emocionais profundas, nossa mente e nosso emocional criam formas de proteção. Isso acontece de maneira quase automática. São comportamentos, pensamentos, padrões e até atitudes que surgem como uma tentativa de nos preservar, de evitar mais sofrimento. O problema é que, com o tempo, começamos a olhar para esses mecanismos com julgamento. Chamamos de fraqueza, de erro, de defeito. Mas, na realidade, eles foram soluções encontradas em momentos de vulnerabilidade. Foram respostas internas para situações externas que não sabíamos como lidar.

Quantas vezes você já se cobrou por algo do seu passado? Quantas vezes olhou para trás e pensou: “Eu não deveria ter feito isso”? Mas será que, naquele momento, você realmente tinha outra opção emocional disponível? Essa reflexão é profunda, porque nos convida a sair do julgamento e entrar na compreensão. Nos convida a olhar para nós mesmos com mais humanidade. O velho eu não tinha todas as respostas, mas tinha uma missão muito clara: proteger você.

E ele fez isso. Talvez de forma imperfeita, talvez criando padrões que hoje já não fazem mais sentido, mas ele fez. E graças a isso, você chegou até aqui. Sem esses mecanismos, sem essas construções internas, talvez você não tivesse conseguido atravessar certos momentos. Talvez tivesse se perdido no caminho. Talvez não tivesse desenvolvido a força que hoje carrega dentro de si.

Isso não significa que precisamos manter esses padrões para sempre. Pelo contrário. Existe um momento em que precisamos evoluir, ressignificar e deixar para trás aquilo que já não faz mais sentido. Mas isso não deve ser feito com rejeição — e sim com reconhecimento.


3. O orgulho da própria história

Parar e reconhecer isso tudo foi algo muito forte para mim. Eu fiquei em silêncio por um tempo, refletindo sobre tudo o que vivi, sobre todas as dores, conflitos e momentos difíceis. E uma pergunta começou a ecoar dentro de mim: como alguém consegue passar por tanta coisa e ainda continuar de pé? Existe uma força dentro de nós que, muitas vezes, não reconhecemos. Uma força silenciosa, que não aparece nos momentos de facilidade, mas se revela nos momentos de dor. É essa força que nos sustenta, que nos faz continuar, que nos impede de desistir.

E foi nesse momento que senti orgulho do meu velho eu. Um orgulho genuíno, sincero. Não porque foi perfeito, mas porque foi suficiente. Porque fez o que precisava ser feito para me manter vivo emocionalmente. Esse orgulho não é sobre exaltar a dor, mas sobre reconhecer a caminhada. É entender que cada fase teve sua importância, que cada versão de mim contribuiu para que eu me tornasse quem sou hoje.

Quando começamos a olhar para o passado dessa forma, algo muda dentro de nós. A culpa começa a perder força. O julgamento dá espaço para a compreensão. E, aos poucos, vamos nos reconciliando com a nossa própria história.


Conclusão

Talvez o maior aprendizado de tudo isso seja entender que não precisamos lutar contra quem fomos para nos tornarmos quem somos. O crescimento não exige rejeição do passado, mas integração. Não se trata de apagar versões antigas, mas de reconhecê-las como parte do processo.

O velho eu não é um inimigo. Ele é parte da sua construção. Ele foi necessário. Ele foi importante. E, acima de tudo, ele fez o melhor que podia. Quando conseguimos olhar para trás com esse nível de consciência, abrimos espaço para uma transformação mais leve, mais verdadeira e mais profunda. Porque paramos de gastar energia tentando negar o passado e começamos a utilizá-lo como base para evoluir.

Então, talvez a pergunta mais importante não seja o que você faria diferente, mas sim: você consegue olhar para o seu velho eu com respeito? Porque, no fim das contas, foi ele que te trouxe até aqui.

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